Quem conduz longas distâncias pela Europa percebe rapidamente que os quilómetros não contam a história toda.
Há percursos que, no mapa, parecem simples e acabam por consumir horas. Há cidades onde uma diferença de horário muda completamente a viagem. E há zonas onde uma alternativa aparentemente mais rápida pode fazer sentido num carro, mas não num camião.
Depois de vários anos a conduzir internacionalmente, há algumas zonas que já associo imediatamente a trânsito, atrasos e necessidade de planeamento.
E uma está claramente no topo da minha lista: Paris.
EXPERIÊNCIA REAL
Este artigo reúne situações e aprendizagens reais do Luís ao conduzir internacionalmente pela Europa. Não pretende ser um ranking das cidades com mais trânsito, porque horários, rotas e condições mudam. É a experiência de quem passa regularmente por estas estradas.
Paris é, para mim, a zona mais complicada
Das grandes zonas urbanas por onde passo, Paris continua a ser aquela que mais me custa atravessar.
Não é apenas uma questão de haver trânsito. É também a imprevisibilidade.
Podemos chegar numa altura razoável e conseguir passar sem um atraso enorme, ou podemos entrar numa situação em que poucos quilómetros se transformam em horas.
Lembro-me particularmente de uma viagem em que vinha de Lille em direção a Orleães.
Fiz uma pausa antes de entrar na zona de Paris e, depois, para percorrer aproximadamente 90 quilómetros, demorei cerca de três horas e meia.
É esse tipo de situação que altera completamente uma viagem longa.
Não são apenas três horas e meia no trânsito. São três horas e meia que depois afetam os horários seguintes, as paragens, o descanso e todo o planeamento do dia.
Por isso, se existe uma zona onde tento ter muito cuidado com a hora a que passo, é Paris.
Nem sempre a rota que parece mais curta compensa
Já me aconteceu tentar atravessar Paris por uma zona mais central em vez de optar por uma alternativa mais exterior.
No mapa podia parecer uma escolha razoável.
Na prática, não compensou.
O trânsito e o movimento fizeram-me perder tempo suficiente para perceber que alguns quilómetros a menos não significam necessariamente uma viagem melhor.
Foi uma das coisas que a estrada me ensinou: não escolher uma rota apenas pela distância ou pelo preço das portagens.
Hoje olho também para a hora a que vou chegar, para o trânsito naquele momento e para o tipo de zona que vou atravessar.
Às vezes prefiro fazer mais alguns quilómetros e manter o veículo em andamento do que entrar numa zona congestionada onde posso ficar praticamente parado.
É também por isso que, quando penso em como calcular o custo de uma viagem de carro, não olho apenas para combustível e portagens: tempo, trânsito e o tipo de percurso também podem mudar a decisão.
Bordéus é outra zona onde conto com trânsito
Bordéus é outra das zonas que tenho como referência quando penso em congestionamento.
A hora a que se chega pode fazer uma diferença enorme.
Quando estou a planear a viagem, não olho apenas para a distância que falta. Tento perceber a que horas vou entrar numa grande zona urbana.
Uma rota pode parecer perfeita quando a vemos várias horas antes, mas, se a previsão nos coloca junto a uma grande cidade numa hora de muito movimento, já merece outra análise.
Lille também merece atenção
Lille é outra das zonas francesas onde já encontrei bastante movimento.
É uma área que aparece em muitos dos percursos que faço entre França, Bélgica e outros destinos do norte da Europa.
Numa viagem internacional, vários destes pontos podem aparecer no mesmo dia.
Por isso, um atraso numa primeira zona pode significar chegar à seguinte precisamente numa altura pior.
É uma das razões pelas quais tento deixar sempre alguma margem no planeamento.
Do sul de França até Mónaco e Ventimiglia
Outra zona que considero complicada é o corredor do sul de França em direção a Mónaco e à fronteira italiana.
Arles, Nîmes, Nice e toda aquela zona até Mónaco podem ter bastante movimento.
Depois, entre Mónaco, Ventimiglia e a entrada em Itália, a condução de um pesado torna-se particularmente lenta em determinados momentos.
Há muitos túneis, pouco espaço e situações em que, num camião, não temos a mesma liberdade que teríamos num automóvel ligeiro.
Se ficarmos atrás de vários pesados mais lentos, por vezes temos simplesmente de acompanhar o ritmo durante bastante tempo.
Na minha experiência, as oportunidades para ultrapassar podem ser bastante limitadas em vários troços, sobretudo com a sucessão de túneis e a própria configuração da estrada.
Aqui existe uma diferença importante entre conduzir um carro e conduzir um camião.
Um condutor num ligeiro tem, em muitas situações, mais facilidade para ultrapassar ou adaptar-se ao trânsito quando isso é permitido e seguro.
Num pesado, dimensões, características da estrada e sinalização podem limitar bastante as opções.
Milão, Roma e os grandes centros italianos
As grandes cidades italianas também são zonas onde é normal eu contar com mais movimento.
Milão e Roma são dois exemplos que me vêm imediatamente à cabeça.
Mas o problema numa viagem internacional nem sempre é uma cidade isolada.
É a acumulação.
Podemos sair de uma zona congestionada, recuperar algum tempo e, algumas centenas de quilómetros depois, voltar a encontrar outro grande centro urbano.
Por isso não planeio uma viagem longa assumindo simplesmente que vou manter a mesma média durante todo o percurso.
Na Alemanha, os grandes centros também pesam no planeamento
Na Alemanha acontece algo semelhante nas grandes zonas urbanas por onde tenho passado.
Trânsito, obras e outros condicionamentos podem alterar rapidamente aquilo que parecia ser uma viagem simples.
Quando fazemos muitos quilómetros, estes atrasos têm um efeito acumulado.
Dez minutos aqui, vinte ali e uma fila maior mais à frente podem transformar-se numa diferença considerável no final do dia.
Madrid e Barcelona têm sido diferentes na minha experiência
Curiosamente, nos percursos e horários em que as tenho atravessado, Madrid e Barcelona têm sido bastante mais fluidas para mim do que algumas das zonas francesas que referi.
Isto não significa que Madrid ou Barcelona não tenham trânsito.
Significa apenas que, na minha experiência e nas viagens que tenho feito, não estão entre as zonas que mais problemas me têm causado.
É precisamente por isso que prefiro contar aquilo que encontro na estrada em vez de criar uma lista teórica das cidades com mais trânsito da Europa.
Outro condutor, com horários, dias e percursos diferentes, poderá ter uma experiência diferente.
Antes de entrar numa zona complicada, uso duas referências
Quando me aproximo de uma zona problemática, tenho normalmente o GPS do camião e o Google Maps como referências.
O GPS adequado ao pesado é a base para perceber a rota que devo seguir com aquele veículo.
O Google Maps ajuda-me sobretudo a perceber o trânsito em tempo real e a visualizar onde estão as maiores filas e possíveis alternativas.
Mas há aqui um cuidado muito importante para quem conduz um pesado.
Uma alternativa do Google Maps pode não servir para um camião
Uma pequena alteração de percurso que num carro faz todo o sentido pode não funcionar da mesma maneira num pesado.
Por vezes o mapa sugere sair da estrada principal, circular alguns quilómetros numa via lateral e voltar a entrar mais à frente.
Visualmente parece uma alteração mínima.
Num carro pode ser perfeitamente simples.
Num camião, podemos aproximar-nos e perceber que aquela alternativa não é adequada ao veículo ou que as características daquela estrada tornam a opção pouco prática.
Por isso, quando conduzo um pesado, não sigo automaticamente uma alternativa apenas porque aparece no Google Maps.
Uso a informação do trânsito, mas cruzo-a com a rota e as limitações próprias do veículo.
Estas limitações são também uma das razões pelas quais é importante que quem conduz um ligeiro perceba algumas diferenças ao conduzir perto de um camião.
Os pequenos desvios que às vezes fazem diferença
Com o tempo também vamos conhecendo determinados percursos.
Às vezes, sair numa determinada saída, seguir por uma lateral e voltar a entrar mais à frente pode permitir recuperar cinco ou dez minutos.
Noutros casos, podemos contornar uma cidade por uma alternativa diferente e escapar a uma fila maior.
Não existe uma fórmula universal.
É uma combinação de experiência, trânsito naquele momento e conhecimento da zona.
E também é importante perceber quando não vale a pena tentar ganhar tempo.
Há ocasiões em que tentar poupar dez minutos pode criar um problema muito maior.
Para um carro ligeiro há opções que um camião não tem
Esta é uma diferença importante para quem lê o A Estrada Ensina e viaja de carro.
Nem todos os problemas que encontro num pesado se aplicam da mesma maneira a um automóvel ligeiro.
Numa estrada com uma faixa em cada sentido, por exemplo, um carro pode ter mais oportunidades para ultrapassar um veículo lento quando a sinalização e as condições de segurança o permitem.
Num camião, determinadas situações podem obrigar-nos a acompanhar durante bastante tempo a velocidade de quem segue à frente.
Por isso, a experiência profissional ajuda-me a identificar zonas problemáticas, mas as decisões concretas têm sempre de ser adaptadas ao veículo.
O meu conselho para quem vai atravessar uma zona congestionada
Há uma regra simples que considero mais importante do que qualquer truque para ganhar cinco minutos:
não deixes que o trânsito te leve a fazer uma asneira.
Nas filas há pessoas distraídas, condutores impacientes e outros que tentam ganhar uma posição como se isso fosse mudar completamente a viagem.
Não vale a pena entrar em discussões no trânsito.
Não vale a pena disputar um espaço.
E não vale a pena transformar alguns minutos de atraso numa situação perigosa.
Especialmente numa viagem de férias ou numa viagem em família, chegar alguns minutos mais tarde é incomparavelmente melhor do que criar um acidente ou um conflito na estrada.
Se viajas com crianças, o trânsito pesa ainda mais
Quando há crianças no carro, o planeamento muda.
Uma hora inesperada numa fila já não afeta apenas o motorista.
Pode significar fome, necessidade de ir à casa de banho, cansaço ou simplesmente uma criança farta de estar sentada.
Por isso, para uma família que vai atravessar uma zona complicada numa viagem longa, tento sempre aconselhar alguma margem de tempo e uma alternativa preparada.
Não montaria um horário tão apertado que uma fila de trânsito destruísse todo o resto do dia.
Uma preparação simples pode fazer muita diferença ao viajar com crianças de carro.
Planear ajuda, mas é preciso ter sempre alternativas
Uma das coisas que mais tenho aprendido na estrada é que planear bem faz diferença, mas nenhum plano é garantido.
Antes de entrar numa zona que conheço como problemática, tento perceber:
- a que horas vou chegar;
- como está o trânsito;
- que alternativas existem;
- se essas alternativas são adequadas ao veículo;
- quanto tempo posso realmente ganhar;
- e se vale a pena alterar a rota.
Algumas vezes a melhor decisão é desviar.
Noutras é simplesmente aceitar a fila.
A experiência ajuda a perceber melhor essa diferença.
É este equilíbrio que procuro quando penso em como preparar uma road trip sem complicar o planeamento.
Paris continua no topo da minha lista
Falo muito de Paris porque, na minha experiência, continua claramente a ser a zona que mais me custa atravessar.
Também gostaria de ver cada vez mais alternativas realmente vantajosas para o tráfego que apenas precisa de atravessar grandes áreas metropolitanas sem entrar nas zonas mais congestionadas.
É uma opinião formada por muitas passagens pela estrada, não uma análise técnica de planeamento rodoviário.
Quando ouço falar de trânsito na Europa, Paris é quase sempre a primeira zona que me vem à cabeça.
E a situação em que precisei de cerca de três horas e meia para fazer aproximadamente 90 quilómetros continua a ser um dos melhores exemplos do motivo.
O que a estrada me ensinou sobre trânsito
Hoje já não olho para uma viagem apenas em quilómetros.
Antes de entrar numa zona complicada tento perceber:
- o horário;
- o trânsito em tempo real;
- as alternativas;
- o veículo que estou a conduzir;
- o tempo que posso ganhar;
- e o risco de transformar uma tentativa de poupar minutos numa complicação maior.
Algumas vezes a melhor decisão é mudar de rota.
Outras vezes é simplesmente aceitar que há trânsito e manter a calma.
Depois de muitos quilómetros pela Europa, há uma conclusão que mantenho:
para mim, Paris continua a ser a zona onde menos gosto de ficar dependente do trânsito.
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