Google Maps, ViaMichelin ou GPS: o que uso para planear uma viagem longa

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GPS e sistema de navegação durante uma viagem longa em autoestrada

Quando preparo uma viagem longa, não procuro uma aplicação que faça tudo.

Uso ferramentas diferentes para problemas diferentes.

Uma pode ajudar-me a perceber custos e alternativas antes de sair. Outra é muito melhor para perceber o trânsito em tempo real. E, quando estou num camião, preciso de ter ainda mais cuidado, porque uma rota perfeitamente normal para um automóvel pode não ser adequada para um pesado.

Depois de muitos quilómetros pela Europa, a minha forma de trabalhar acabou por ficar bastante simples:

  • o GPS dá-me uma base para navegar;
  • o Google Maps ajuda-me a perceber o que está a acontecer naquele momento;
  • e o ViaMichelin é especialmente útil antes de uma viagem que ainda não conheço bem.

Não vejo estas ferramentas como concorrentes.

Para mim, complementam-se.

EXPERIÊNCIA REAL

No camião uso um GPS com iGO Primo e é, muito sinceramente, o sistema de que mais gosto. Já experimentei soluções TomTom e Garmin, mas continuo a preferir este.

O meu funciona offline e uso-o como base da navegação. Depois complemento a informação com o Google Maps, sobretudo para perceber trânsito, acidentes e aquilo que está a acontecer mais à frente.

Quando viajo de carro com a família, a situação é diferente. Aí confio muito mais diretamente no Google Maps e recorro ao ViaMichelin sobretudo quando quero comparar percursos e custos antes de fazer uma rota que ainda não conheço bem.

Não existe uma ferramenta que seja melhor em tudo

É provavelmente a primeira conclusão que tiraria desta comparação.

Se alguém me perguntasse simplesmente:

“Qual é o melhor: Google Maps, ViaMichelin ou GPS?”

a minha resposta seria:

depende do que quero saber naquele momento.

O Google Maps é muito forte quando a informação em tempo real é importante.

O ViaMichelin é muito interessante para estudar uma viagem antes de sair, comparar percursos e perceber melhor os custos.

E um GPS adequado ao veículo continua a dar-me uma base de navegação que não quero substituir apenas porque tenho um telemóvel com mapas.

O erro, para mim, seria esperar que uma única ferramenta resolvesse perfeitamente todas estas necessidades.

O GPS com iGO Primo continua a ser a minha base no camião

No meu caso, o GPS que uso no camião tem iGO Primo.

É um sistema offline e estou habituado à forma como apresenta a estrada, as indicações e o percurso.

Depois de experimentar outros equipamentos, incluindo soluções TomTom e Garmin, este acabou por ser aquele com que me sinto mais confortável.

Isto não significa que o iGO Primo seja automaticamente “o melhor GPS” para todas as pessoas.

É a minha preferência, construída com utilização real.

Uma vantagem que valorizo é não estar dependente de uma ligação móvel para ter a rota base disponível.

Numa viagem internacional, gosto de saber que tenho essa referência independentemente da qualidade da rede naquele momento.

Mas também não sigo o GPS de olhos fechados.

Nenhum sistema substitui a sinalização, as condições reais da estrada e a decisão do condutor.

No camião, o Google Maps é apoio — não é o meu GPS principal

É aqui que entra o Google Maps.

Uso-o muito, mas não da mesma forma que uso o GPS do camião.

O Maps ajuda-me sobretudo a perceber:

  • trânsito em tempo real;
  • acidentes;
  • zonas onde o trânsito está a acumular;
  • possíveis alternativas;
  • restaurantes e outros pontos úteis ao longo da viagem.
Dois sistemas de navegação usados numa viagem longa por estrada
Na estrada, prefiro cruzar informação de mais do que uma ferramenta em vez de depender de uma única referência.

Ter esta segunda camada de informação pode fazer muita diferença.

Se o meu GPS apresenta uma rota normal mas vejo no Maps que, 50 ou 100 quilómetros mais à frente, existe uma fila enorme ou um acidente, já sei que tenho de acompanhar a situação.

Depois decido se existe realmente uma alternativa que faça sentido.

Também tento aprender com as zonas onde mais tempo perdi a conduzir pela Europa.

Uma alternativa do Google Maps pode ser ótima para um carro e má para um camião

Esta é provavelmente a diferença mais importante entre a forma como uso o Google Maps num automóvel e num pesado.

De carro, tenho muito mais confiança nas alternativas sugeridas pela aplicação.

Se existe trânsito na autoestrada e o Maps sugere sair numa saída, seguir alguns quilómetros por uma estrada paralela e voltar a entrar mais à frente, muitas vezes essa opção pode funcionar perfeitamente.

Num camião não posso assumir o mesmo.

Já me aconteceu olhar para alternativas que, no mapa, pareciam muito simples, mas que não eram adequadas para o pesado.

Uma pequena estrada, uma passagem apertada ou simplesmente uma via pouco prática para aquele veículo podem transformar aquilo que parecia um atalho numa má decisão.

Por isso, no camião, uso a informação do Google Maps para perceber o problema.

Não uso automaticamente a alternativa só porque aparece no ecrã.

Primeiro tenho de perceber se aquela estrada faz sentido para o veículo.

A própria documentação do Google Maps apresenta itinerários de condução normais e não uma modalidade específica de navegação para pesados.

Por isso, quem conduz um camião não deve tratar uma alternativa para automóvel como se fosse automaticamente uma rota adequada para o pesado.

O mesmo cuidado é sensato em veículos maiores, como determinadas autocaravanas: é preciso confirmar sempre se o percurso é adequado ao veículo.

De carro com a família, o Google Maps ganha muito mais importância

Quando vou de carro com a família, uso o Google Maps de forma muito mais direta.

Nesse contexto, as alternativas que aparecem são normalmente muito mais fáceis de avaliar.

Continuo a ter atenção, especialmente em zonas rurais onde uma aplicação pode sugerir uma estrada muito pequena ou pouco prática.

Mas numa viagem longa por autoestradas e estradas principais, o Maps é uma ferramenta que uso bastante.

Além do trânsito, também me ajuda quando procuramos:

  • restaurante;
  • combustível;
  • uma paragem;
  • um determinado serviço;
  • ou simplesmente perceber o que existe mais à frente.

Isto também se liga à forma como escolho onde parar numa viagem longa.

Para mim, o ViaMichelin é especialmente útil antes de sair

O ViaMichelin entra noutra fase da viagem.

Hoje uso-o menos em rotas que já conheço porque, com a experiência, já sei quais são as alternativas que normalmente fazem mais sentido.

Mas quando vou fazer uma rota desconhecida, continuo a achar que vale a pena dar-lhe uma vista de olhos.

A vantagem é podermos comparar dois ou três percursos e perceber coisas que não se resumem à duração.

Por exemplo:

  • quilómetros;
  • portagens;
  • combustível estimado;
  • custo global;
  • percurso mais rápido;
  • percurso mais económico;
  • alternativas sem determinadas portagens.

Isto não significa que o cálculo vá representar exatamente aquilo que acontece na viagem real.

Consumo, preços e condições mudam.

Mas dá uma base muito útil para comparar.

É especialmente interessante para alguém que ainda não conhece bem as estradas que vai atravessar.

Se quiseres calcular o custo de uma viagem de carro, podes também comparar os teus próprios valores com a nossa calculadora de custo de viagem.

O ViaMichelin também não deve ser tratado como um GPS de pesados

Há outra distinção importante.

O ViaMichelin permite introduzir dados do veículo para melhorar a estimativa dos custos e tem inclusivamente uma opção para quem viaja com caravana.

Atualmente, o próprio serviço explica que essa opção ajusta custo, duração da viagem e consumo, mas não altera o itinerário calculado.

Isto é um bom exemplo de uma regra que aplico a todas estas ferramentas:

uma boa estimativa de custos não significa necessariamente que a aplicação esteja a calcular uma rota específica para as dimensões ou limitações do teu veículo.

Para uma viagem de carro normal, isso é menos problemático.

Para um pesado, é uma diferença fundamental.

Quando não conheço a rota, prefiro simplicidade

Quando vou para uma zona que não conheço, tento evitar uma rota demasiado complicada sem necessidade.

Não me interessa poupar alguns quilómetros se isso significa:

  • sair da estrada principal;
  • entrar numa localidade;
  • virar várias vezes;
  • passar por ruas pequenas;
  • e depois regressar novamente à via principal.

Se o desvio tiver uma vantagem clara, considero-o.

Mas, entre duas alternativas semelhantes, prefiro normalmente o percurso mais simples e previsível.

É uma das razões pelas quais analisar a viagem antes de sair pode poupar decisões desnecessárias mais tarde. Vê também como preparar uma road trip sem complicar o planeamento.

Antes de uma grande cidade, volto a verificar o trânsito

Numa viagem como Porto–Paris, por exemplo, eu não estaria constantemente a alterar o percurso desde Portugal.

Traçaria primeiro uma rota normal.

Depois, quando estivesse a aproximar-me de uma grande zona urbana, faria uma nova avaliação.

Uma ou duas horas antes de chegar é uma boa altura para perceber:

  • como está o trânsito;
  • se existe algum acidente;
  • se há uma fila fora do normal;
  • se apareceu uma alternativa;
  • e se essa alternativa realmente compensa.

A decisão continua a depender do veículo.

Num carro posso aceitar uma opção que não escolheria num camião.

É também por isso que numa viagem longa não gosto de olhar apenas para a duração apresentada quando arranco.

O estado da estrada várias horas depois pode ser completamente diferente.

Na comparação de percursos entre cidades, vê também quanto custa ir do Porto a Paris de carro.

Em França, à noite, confirmo ainda mais a situação da estrada

Há uma situação que aprendi a ter particularmente em atenção em França: trabalhos e condicionamentos noturnos.

Não existe uma regra que diga que as autoestradas francesas fecham todas a partir das 21 horas.

Mas são frequentes obras programadas durante a noite, precisamente quando há menos trânsito.

Existem vários exemplos recentes de intervenções com condicionamentos ou fechos entre aproximadamente as 21h e as 5h ou 6h.

Por isso, quando estou a fazer uma viagem longa em França e vou atravessar determinadas autoestradas durante a noite, gosto de verificar a situação antes de chegar ao troço.

Uma rota perfeitamente normal durante o dia pode ter um desvio temporário durante a noite.

É precisamente nestas situações que informação atualizada vale mais do que confiar apenas na rota que foi calculada muitas horas antes.

Google Maps, ViaMichelin e GPS: para que uso cada um

FerramentaPara que a uso principalmenteQuando considero mais útil
GPS com iGO PrimoNavegação base no camiãoDurante a viagem, incluindo sem ligação móvel
Google MapsTrânsito, acidentes, alternativas e locais úteisDurante a viagem e antes de grandes zonas urbanas
ViaMichelinComparar rotas, portagens e custosAntes de uma rota longa que ainda não conheço bem

Não interpretes esta tabela como uma classificação das ferramentas.

É simplesmente a forma como as uso.

Outra pessoa pode preferir uma combinação diferente.

O meu processo antes de uma viagem que não conheço

Se amanhã tivesse de fazer uma viagem longa por estradas que não conheço, faria aproximadamente isto:

  1. Veria a rota principal.
    Primeiro quero perceber por onde passa a viagem sem complicar demasiado.
  2. Compararia alternativas e custos.
    Aqui o ViaMichelin pode ser bastante útil para perceber se existe uma diferença relevante em portagens, combustível ou distância.
  3. Prepararia o GPS.
    No camião, deixaria a rota base preparada no equipamento que uso para o pesado.
  4. Consultaria o Google Maps.
    Antes de sair e novamente durante a viagem, verificaria trânsito e incidentes.
  5. Voltaria a verificar antes de zonas urbanas importantes.
    Não preciso de mudar o trajeto cinco horas antes por causa de uma previsão. Quero saber como está a situação quando a decisão começa realmente a ser relevante.
  6. Não seguiria um desvio sem avaliar a estrada.
    Especialmente num pesado.

Não deixes o navegador decidir tudo por ti

Qualquer uma destas ferramentas pode ser extremamente útil.

Mas continua a existir um condutor dentro do veículo.

Um navegador não vê necessariamente aquilo que estás a ver naquele instante.

Pode existir sinalização temporária.

Pode haver obras.

Pode haver uma estrada que não te inspire confiança.

Ou simplesmente podes perceber que a alternativa que aparece no ecrã não faz sentido para o veículo que conduzes.

Se existir conflito entre uma indicação da aplicação e a sinalização real da estrada, a sinalização e as regras aplicáveis têm de prevalecer.

E há uma regra ainda mais básica:

não comeces a mexer em aplicações e comparar percursos enquanto conduzes.

Faz essa verificação antes de arrancar, numa paragem segura ou deixa-a a cargo de um passageiro.

Ganhar alguns minutos nunca justifica tirar a atenção da estrada.

Então, qual escolho?

Eu não escolheria apenas uma.

No meu dia a dia, a combinação é mais útil do que tentar encontrar uma aplicação perfeita.

No camião:

GPS como base.
Google Maps como apoio para informação atual.

Numa viagem de carro em família:

Google Maps pode assumir um papel muito maior.

Antes de uma rota desconhecida:

ViaMichelin ajuda-me a comparar alternativas e custos.

Depois entra aquilo que nenhuma aplicação consegue instalar:

experiência.

Com o tempo começamos a saber que determinadas estradas são melhores, que certos atalhos não compensam e que uma diferença pequena no mapa pode representar uma diferença grande na estrada.

Perguntas frequentes

Google Maps é suficiente para uma viagem longa de carro?

Para muitas viagens de automóvel, pode ser uma ferramenta muito útil para navegação, trânsito e alternativas. Ainda assim, continuo a preparar previamente viagens longas e a não depender apenas da primeira rota apresentada.

Google Maps serve como GPS para camiões?

Não o trato dessa forma. Uso o Google Maps no camião sobretudo para informação de trânsito, acidentes e possíveis alternativas. Uma rota indicada para automóveis pode não ser adequada a um pesado.

Para que serve o ViaMichelin numa viagem?

Uso-o sobretudo antes de viagens desconhecidas para comparar itinerários, quilómetros, portagens e estimativas de combustível e custo total.

O ViaMichelin calcula viagens com caravana?

O serviço disponibiliza atualmente uma opção de caravana que ajusta dados como custo, duração e consumo. O próprio ViaMichelin indica, porém, que essa opção não altera o trajeto calculado.

Vale a pena ter GPS offline?

No meu caso, sim. No camião valorizo ter uma navegação base que não depende da ligação móvel. Depois complemento-a com informação online quando necessário.

O que a estrada me ensinou sobre navegação

Depois de muitos quilómetros, aquilo que mais valorizo não é ter o maior número possível de aplicações abertas.

É saber para que serve cada uma.

Um bom GPS pode dar-me uma rota base.

O ViaMichelin pode ajudar-me a perceber custos e alternativas antes de sair.

O Google Maps pode mostrar-me que, entretanto, aconteceu um acidente ou apareceu uma fila que não existia quando comecei a viagem.

E a experiência ajuda-me a decidir o que fazer com toda essa informação.

Para mim, é essa combinação que funciona melhor.

Não procuro uma aplicação que decida tudo.

Procuro informação suficiente para tomar uma decisão melhor.

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